
Steve Jobs deixou um legado significativo, desenvolvendo produtos que tornaram a tecnologia acessível ao cotidiano de pessoas comuns, transformando os aparatos de laboratório de informática em eletrodomésticos. E é claro, como não poderia deixar de ser, com um toque do seu estilo pessoal, que valorizava o design e a beleza, tanto quanto a funcionalidade.
Assim, em meio a um monte caixas pretas esquisitas e desengonçadas, ele lançou uma série de computadores elegantes, integrados e coloridos. Depois lançou o primeiro smartphone, revolucionando a comunicação pessoal. Ademais, durante sua passagem pela Pixar, também impulsionou a indústria da animação gráfica, lançando filmes como “Toy Story” e “Procurando Nemo”.
Entretanto, Jobs não escreveu roteiros ou criou personagens. Foram outros indivíduos talentosos que os desenvolveram. Da mesma forma, na indústria tecnológica, ele não era o especialista em tecnologia, sendo, muitas vezes, criticado por Bill Gates, por não entender do assunto.
Então, qual o grande talento de Jobs: identificar oportunidades, reunir especialistas e extrair o melhor de cada um e distorcer a realidade.
A distorção da realidade é um termo usado pelo seu biógrafo, Walter Isaacson, para descrever a combinação de obstinação persuasiva de Jobs, que elevava ao cubo a sua rebeldia de “pensar fora da caixa”, bem como a sua imaginação. Ele não só acreditava que o impossível seria possível, como também viável em um cronograma sobre-humano.
Jobs não correspondia a imagem de inventor solitário pesquisando em um laboratório, repleto de livros e equipamentos. A sua maior habilidade era reunir os melhores ingredientes e cozinheiros, acrescentando o seu toque pessoal, o “secret sauce”, que tornava o prato único. Geralmente, esse ingrediente secreto era a qualidade, o design e a funcionalidade para o usuário.
Assim, no caldeirão de Jobs, foram reformulados conceitos, reinventando as indústrias da computação, da música, da animação e da telefonia. Diante de tantos êxitos, Jobs é considerado por muitos como um herói moderno. Faz parte do imaginário capitalista projetar heroísmo nos empreendedores self-made man.
O arquétipo do herói, segundo o psicólogo Carl Gustav Jung, apresenta algumas tipologias. A que melhor descreveria Jobs, como empreendedor, seria o arquétipo do mago.
O mago é capaz de transformar o mundo ao seu redor com a imaginação, criando algo novo a partir dos elementos disponíveis, com obstinação e capacidade persuasiva de converter os demais com a sua visão de realidade, que muitas vezes, ainda não está manifestada.