O EU ESPIRITUAL

Eu Espiritual

Um dos enigmas a serem desvendados por aqueles que buscam o desenvolvimento espiritual é a descoberta de uma versão maior de si mesmo em contato direto com a centelha divina que abrigamos em nossa essência, denominada Eu Superior.

A contraparte do Eu Superior é o ego, uma versão do eu limitada pelos instintos e condicionada às fronteiras da experiência humana e terrestre. Enquanto o Eu Superior é o eu espiritual, imortal e atemporal, a visão do ego é restrita pelos condicionantes dimensionais de tempo e espaço, bem como impulsionada pelos instintos inerentes ao plano material.

Esse conhecimento, embora velado, foi preservado em diferentes culturas. Na mitologia grega, os dióscuros, gêmeos idênticos, representam o Eu Superior e o Ego. Polux é imortal e Castor não, pois embora tenham sido gerados pela mesma mãe, somente um deles é filho de Zeus, deus do Olimpo.

Em algumas regiões da Índia e Nepal, povos com longínqua tradição espiritualista e linhagens de mestres e discípulos, utiliza-se a saudação “namastê”, cujo significado pode ser traduzido de forma simplificada como “o deus que habita em mim, saúda o deus que habita em você”. Assim, reverencia-se a presença do outro enquanto ser espiritual, além do encontro entre dois egos.

O reconhecimento de uma instância divina interior é fundamental para a compreensão dos ensinamentos espirituais, uma vez que a visão limitada do ego, impregnada por julgamento e separação, não abarca a totalidade do espírito.

Na tradição cristã, Jesus emprega parábolas que somente são compreendidas espiritualmente, se despidas de sua literalidade. Além disso, em outras passagens, o ensinamento é apresentado de forma direta, mas a compreensão plena do seu significado está além da capacidade de processamento do ego.

Por exemplo, o “amarás ao próximo como a ti mesmo” do ponto de vista do ego exige grande esforço, pois implica em renunciar ao julgamento e à separatividade. O ego discrimina o eu do outro, destacando as diferenças e marcando as particularidades. Além disso, julga. Amar aquele outro ser ali como a mim mesmo? Ele pecou, não é devoto, é acomodado e não busca o desenvolvimento de seus potenciais. Ele poderia ter feito mais. Eu me esforcei e agora ele vai receber o mesmo amor que eu?

O discípulo deve se despojar dessa visão limitada para se desenvolver espiritualmente. Tanto o julgamento como a separatividade são ferramentas que, embora imprescindíveis para a sobrevivência material, não abarcam a totalidade divina. Então, não cabe recriminar o ego, mas sim, expandir a consciência para a visão holística do Eu Superior. Desse ponto de vista, a compreensão do mandamento cristão, adquire outra tonalidade, amplificada pela sabedoria de uma razão unificadora e poderia ser compreendida da seguinte forma:

Assim como o oceano é formado por milhares de partículas de água, a humanidade está interligada e todos somos um. A interligação entre todos os seres pode ser comparada ao corpo humano, composto por células que podem ser identificadas e isoladas, como um tijolo de uma parede. No entanto, somente a interação do conjunto de células constitui os tecidos e os órgãos. A dissonância de uma célula pode resultar em doença, sendo que a harmonia entre o conjunto é imprescindível para a saúde do corpo.

Imagine que cada ser humano é a célula de um corpo. Se eu, como célula, não amar as demais como a mim mesmo, o equilíbrio do organismo pode ser comprometido. Do ponto de vista do Eu Superior, seria algo desprovido de sentido. Então, o amar ao próximo, que parecia sacrifício para o ego, é natural para o Eu Superior. A espiritualidade, enquanto expansão da consciência, é vivenciada com espontaneidade e alegria. Ao nos conectarmos com o Eu Superior, acessamos a sabedoria do deus que habita em nós. Ouça-a e acolha a tua centelha divina.

Namastê!

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