Da lama à luz: o caminho da espiritualidade simbolizado pela flor de Lótus

 

Qual a influência do ambiente externo sobre a espiritualidade? Qual o peso das circunstâncias exteriores na evolução da alma?

O recém-nascido humano, um dos mais frágeis entre os mamíferos, necessita ser suficientemente protegido da adversidade para sua sobrevivência, podendo vir a perecer sem o cuidado suficiente. Além disso, para atingir o seu pleno desenvolvimento depende de um conjunto de estímulos relacionados a inserção social e a interação cultural com o meio, os quais influenciam o potencial de auto-realização de cada indivíduo. Um bebê isolado do convívio humano encontraria não só dificuldades de sobrevivência física, bem como de desenvolver adequadamente seu repertório de comportamentos cognitivos e emocionais.

Será que a mesma fragilidade e dependência de cuidados externos também são encontradas no processo de despertar espiritual?

A resposta, inspirada na flor que simboliza o discípulo, é não. A flor de Lótus (Nelumbo nucifera), símbolo sagrado da espiritualidade para budistas e hindus, desabrocha entre as águas lamacentas, mantendo suas raízes (rizomas) fincadas no lodo e suas flores, intactas, na superfície. As flores, geralmente de cor branca ou rosa, apesar de florescerem em pântanos, permanecem sempre limpas, como se a sujeita não pudesse as macular.

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A associação com o discipulado se deve ao caminho percorrido pelo discípulo e o desabrochar da flor. Antes do despertar espiritual, o discípulo vive imerso na escuridão lamacenta da vida material. O germinar da semente corresponde ao início do caminho do discipulado. A flor emerge acima das águas para desabrochar e saudar o sol, assim como o discípulo busca a verdade acima das aparências e encontra o seu despertar na Luz.

Depois de florescer, a flor de Lótus permanece intacta, sem se sujar de lama, mesmo em contato com o lodo. Pesquisas recentes demonstraram que essa qualidade se deve a microestrutura da planta, cujo arranjo e porosidade impedem a absorção de sujeira, bem como a tornam impermeável. Essa estrutura, aplicada pela nanotecnologia, desenvolveu produtos impermeáveis e autolimpantes, assim como a flor.

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Outra característica surpreendente é que o Lótus consegue ficar com a temperatura estabilizada entre 30 e 35 graus Celsius, mesmo quando o ambiente se aquece ou resfria em até 20 graus. Cada botão libera 1 watt de energia. A energia gerada por sessenta botões é equivalente ao calor gerado por uma lâmpada comum.

O discípulo desperto, mesmo em contato com as impurezas do mundo, não se contamina. O ambiente externo não é um fator determinante para o seu desenvolvimento. Ele permanece puro e irradia luz.

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Por fim, a semente do Lótus, se não é eterna como a Alma do discípulo, tem vida longeva. Sementes encontradas na China com mais de 500 anos, germinaram. A imortalidade que só pode ser encontrada na vida espiritual, é outra característica associada à flor.

Cada um de nós é uma flor de Lótus. Um discípulo em busca da Luz, que muitas vezes, comete erros e está envolto por um lamaçal. Por mais viscosa e densa que se encontre o lodo ao nosso redor, nosso Espírito é imortal e imaculado e, um dia, irá florescer acima das águas.

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3 thoughts on “Da lama à luz: o caminho da espiritualidade simbolizado pela flor de Lótus

  1. sou artista plástico e desenvolvo um trabalho intitulado LÓTUS, DO LIMO À LUZ.
    São desenhos feitos com nanquim e grafite s/ papel ou acrílica s/ tela…

  2. LÓTUS, DO LIMO À LUZ…

    Pássaros me trouxeram peixes.
    Levaram-me a mergulhos em aquários, onde entrei em contato com a solidão do betta e a solidão humana com uma série de vinte e cinco desenhos feitos com nanquim e grafite s/ papel.
    Concluída a série, os pássaros retomaram seus lugares, trazendo-me flores de lótus com as quais pude observar como o vegetal desperta no escuro.

    Cultivando plantas em caqueiras pude observar como é especial a vida dos vegetais: Uma semente desperta em meio à escuridão e imediatamente se põe em busca da luz. Ela brota por que quer o sol e cresce por que é o sol que ela quer.
    Plantas não ficam nem focam ensimesmadas cultuando umbigos. Mostram-se e querem a luz.
    Foi assim que os pássaros me trouxeram as flores de lótus que nascem nas profundezas dos pântanos e tornam-se ninhais de pássaros e outras espécies de vida que se alegram e saúdam raios de sol…

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