Metanoia – a crise da meia-idade

A crise da meia-idade costuma ser associada aos 40 anos. Neste tempo, é muito provável que o indivíduo já tenha obtido conquistas como casamento, filhos e uma carreira. Além disso, vive de forma autônoma e independente. De certa forma, esse marco poderia ser considerado como o auge da vida adulta.

No entanto, ao contrário do que se poderia supor, esse auge nem sempre representa realização interior. Sendo assim,  uma crise existencial costuma acometer muitas pessoas.

O psicanalista Carl G. Jung, denominou essa crise como metanoia. O termo, de origem grega, significa conversão e foi adotado na Bíblia para narrar a experiência do apóstolo Paulo.

A metanóia, para Jung, está associada a uma busca de integração da psique, que inverteu o fluxo de energia do exterior para o interno.

Até a idade adulta, o indivíduo busca obter conquistas do ego sobre o mundo, que podem ser mensuradas como estabilidade social e realização pessoal. Parece que o roteiro de desenvolvimento contínuo coletivamente idealizado termina repentinamente quando se conquista a carreira almejada e a família perfeita.

Contudo, deste ápice do sucesso exterior, avista-se um vazio interno.

 A crise da meia-idade parece indicar que o auge conduziu à falta de significado. É comum que o estilo de vida arduamente desejado no passado, se torne obsoleto e não faça mais sentido.

Nesse período, a pessoa pode viver uma montanha-russa, sentindo-se velha demais para fazer algumas coisas em alguns momentos ou jovem demais em outros.

A intenção de mudar e buscar novo algo predomina. Algumas vezes, renega-se tudo o que se viveu como jovem adulto para construir novos valores. Então, é comum ocorrerem divórcios, mudanças de carreira e até de país. Todos os adjetivos que identificam a persona não servem mais: o advogado virou chefe de cozinha, o casamento idealizado ruiu, etc.

Então, quer dizer que todos vão se divorciar ou mudar de emprego nessa idade? Claro que não. Somente aqueles que estavam identificados com o casamento e emprego, mas não encontraram significado para os mesmos nessa fase de ver vida com outro olhar.

A metanoia para Jung é um processo importante de realinhamento entre duas instâncias psíquicas, o ego, que é o nosso “eu consciente” e o Self, o arquétipo da totalidade.

A busca de um sentido maior para a vida e a necessidade de transcendência são atributos da nova fase. Além disso, o autoconhecimento é privilegiado em relação a dominar o mundo externo.

Então, lentamente, se aproxima o arquétipo do velho sábio para, de agora em diante, conduzir a jornada.

Foto por Inactive. em Pexels.com

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